30 setembro 2013

Coisas do mundo, minha nega

Amarildo não apareceu - nem seu corpo. Não só ele... 
Dadá - moradora de rua - foi morta apedrejada defendendo seus cães.
Cachorros - vivos - têm anzol colocado no nariz e são usados como isca para pescar tubarões.
Monsanto empesteia a terra - e a Terra - com seus transgênicos e herbicidas.
Coca-cola destrói os rios do planeta - vide o Ganges, polui a terra com seus pesticidas e lixo tóxico e contrata assassinos para matarem líderes sindicais.
Quase 3 bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza (com U$2 por dia). Quase 2 bilhões vivem na indigência (menos de U$1 por dia). Juntos, dá metade da população mundial.
Síria se autodestruindo.
África idem.
Palestina sendo destruída por Israel + EUA.

#eeuquesouloucadenãomeadaptaraessemundo?
#eunãocarregonascostasasdoresdomundo #elasquepulamnimim

De preguiça, psicologia, deus e o demo.

"Ai que prazer 
Não cumprir um dever
Ter um livro para ler 
E não o fazer." (Fernando Pessoa)

"Na ribeira desse rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio.
Nada me impede, me impele,
Me dá calor ou dá frio." (Fernando Pessoa)


Uma muié doida, aí (só podia ser psicóloga), escreveu dizendo que "Preguiça é o maior sinal da falta de autoconfiança", e, portanto, conclui: "Oriente-se pela psicologia e cultive sua autoestima".

Dona (estou respondendo pra ela), a preguiça é a mãe de Deus. A mãe do demo é o trabalho, principalmente o trabalho destituído de criação, o trabalho alienante, o trabalho-mercadoria, que vendemos pra comprar o básico da vida: comida, transporte, moradia, roupas. Saúde de qualidade, educação idem e lazer não dá pra pagar com o fruto do nosso trabalho, por que ele é apropriado pelo patrão. Isso a gente tem que usar do pior e mais porco, dado pelo Estado bonzinho. Amém.

A família de Deus é assim: mãe = preguiça; pai = ócio; avó = vagabundagem; tia = vadiagem; irmão = corpo-mole. Bela e feliz família, que está sempre juntos, sempre realizados com seu não-ter-o-que-fazer. Ou, tenho-mas-não-quero-fazer-e-não-faço.

A preguiça é o maior sinal de que estamos bem, satisfeitos com a vida que levamos, que não precisamos correr atrás de nada fora de nós mesmos, enfim, que atingimos o nirvana em vida, que alcançamos o ápice da evolução espiritual. Amém de novo.

Pra terminar: "oriente-se pela psicologia". Ãhn? Eu, hein, rosa! Cai fora, dubadubá-do-cientificismo-psicológico. Que Nossa-Senhora-da-sensatez e o Bom-Jesus-do-pensamento-mágico venham em nosso auxílio e nos orientem. Amém³. 

Cantando pra psicologia: "aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação/ não temos perspectiva/ mas o vento nos dá a direção/ a vida que vai à deriva é a nossa condução/ mas não seguimos à toa." (Bom, o Arnaldo Antunes pode não seguir à toa, mas eu sigo. Completamente à toa).

#EssaPsicologiaNãoMeRepresenta
#NãoTravistaSuperstiçõesMoralistasComPsicologiaPorqueNãoEnganaNemTranformaEmCiência

07 setembro 2013

Vândalos, ostrogodos e visigodos.


"Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague" (Chico Buarque)





Noooooossa, queimaram a bandeira do Brasil!

Noooooossa, quebraram bancos e a Companhia Telefonica de España!

Grande coisa! Símbolos de um nacionalismo arcaico que só gerou guerras, e do capitalismo cada vez mais selvagem e excludente. 

Símbolos de um povo, principalmente uma juventude, que não tem projeto político e não se reconhece nas Instituições do seu país, daquele conceito, que se ensina nas escolas, chamado “nação”. 

Pessoas sem lugar numa sociedade que não acolhe a não ser as elites e os submissos, que se vendem a qualquer preço. Mesmo que sejam altos preços, como em algumas – poucas - profissões. Mas para serem acolhidos, fazerem parte, serem considerados “cidadãos” do Império têm que ser subservientes ao Sistema. 

Querem se opor? Fazer oposição? Mas que seja dentro das regras. Das regras que estão aí já postas há décadas, quiçá séculos. Não pode quebrar. Não pode depredar. Não pode destruir os bens. Não vale puxar cabelo, nem beliscão. 

Mas matar – ou deixar que matem - pode. 

Mas matar – ou deixar que morram de fome – pode. 

O humano, como bem previu Marx, virou mercadoria. E as mercadorias foram fetichizadas. 

Aí aparecem uns mascarados – oh, horror dos horrores, máscaras! – como se políticos, governos, as Instituições todas não vivessem escondidas atrás de máscaras. Ou, pior, não fossem eles próprios apenas... máscaras. De rostos muito bem protegidos. 

Pois aparecem uns mascarados que depredam, quebram, destroem, arrasam, não deixam pedra sobre pedra por onde passam. Ainda não, mas vão chegar nesse ponto, se mudanças não forem feitas para acolher a todos, no Brasil e no mundo. E por “mudanças” não entendam repressão, polícia, espancamento, assassinatos, prisões, torturas, como tem sido feito com eles. 

Aparecem esses bárbaros, vindos sabe-se que deus de onde, os sem lugar certo, os que não se encaixam nos lugares a eles reservados, ou não se contentam ao não-lugar em que habitam, e acham que podem perverter a Ordem. (Sim, aquela mesma que prometeu trazer Progresso com ela, mas só gestou o Nada que devora o planeta). 

Pois podem, mesmo. E estão mostrando isso. Podem quebrar, depredar, desconstruir, perverter, inverter, mudar os polos. Podem. E devem. 

Nossa, mas eles queimaram a bandeira do Brasil! 

Nossa, mas eles quebraram bancos e a Companhia Telefonica de España! 

Grande coisa! Símbolos de um nacionalismo arcaico que só gerou guerras, e do capitalismo cada vez mais selvagem e excludente, que merecem e precisam ser desmoronados para, quem sabe, coisas mais humanas sejam criadas e valorizadas em seu – podre - lugar. 



Eloisa Helena Maranhão