30 abril 2015

Professor não é o problema. O problema é a gestão da Educação (ou, dando nome às moscas e à merda).



Professores brasileiros são, sim, muitíssimo mal pagos. E não me venham com "professor até ganha muito pelo trabalho que faz", porque a esmagadora maioria dos professores trabalha muito e se dedica muito. Há, sim, professores incompetentes (como em todas as profissões, principalmente na política) e mal formados (e, nesse caso, é um problema circular, porque professor mal pago forma outros mal pagos, e os bem formados procuram outras profissões menos exaustivas, estressantes, e mais bem remuneradas).

E quem acha que qualquer um pode ser professor, e gostaria de ocupar o lugar deles, vai lá, tenta, passe um ano da sua vida dando aula, e depois venha conversar sobre isso.

Professor, no Brasil, ganha menos que a maioria das profissões de nível técnico (médio), e trabalha muito mais. Comparem os salários dos professores (e da Educação em geral) com os salários dos funcionários do legislativo e do judiciário, por exemplo. Ou das grande empresas nacionais e multinacionais. E pensem, também, em quem formou a mão-de-obra e os proprietários dessas empresas. Não foi um(a) professor(a)?

E, além disso, professor aguenta uma estrutura de ensino arcaica, incapaz, ineficaz, ineficiente, e, pior que tudo, GERIDA, INTENCIONALMENTE, PARA NÃO FUNCIONAR. 

Não interessa, às elites, a educação popular, o ensino público e gratuito. O interesse das elites é gastar (o dinheiro da população, produzido por ela, e pago por ela, em impostos, etc) nos seus próprios investimentos, que lhes dão lucro. Educação, saúde, habitação popular, etc, que fiquem às moscas. Afinal, as elites veem os trabalhadores como moscas.

Portanto, gestores da Educação (e não estou falando dos diretores de escola, nem dos coordenadores, nem das secretárias, apelidados, atualmente, de "gestores", mas sim dos PREFEITOS, GOVERNADORES, SECRETÁRIOS DA EDUCAÇÃO, MINISTRO DA EDUCAÇÃO E PRESIDENTA), portanto, senhores, sejam mais sensíveis, mais sensatos, e invistam, realmente, na EDUCAÇÃO PÚBLICA, DE MASSAS E GRATUITA.

Mas não com medidas paliativas, manipuladoras e populistas. Mas botem a mão na merda - política, pedagógica - que os senhores mesmos fizeram. E, como disse Chico César, "não aponte o dedo pra Benazir Bhuto, seu puto, que ela está de luto pela morte do pai". E todos nós, professores, estamos de luto pela morte de nossa mãe, da mãe de todo o povo, a Educação.

Façam sua obrigação de gestores, senhores. Ganhamos nós - o povo, ganham vocês - políticos, e ganham as elites, inclusive, porque povo mal educado, mal formado, mal pago, transforma o país num barril de pólvora.

Vocês querem, realmente, ver o barril estourar?

Eloisa Helena Maranhão.

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